domingo, 2 de agosto de 2009

velas acesas


Inútil
o copo vazio
a mesa cheia de espaço
a boca no guardanapo
sem qualquer canto
para servir o gole
a janela aberta
para o som esperado
antes da hora do silencio
de uma noite invernosa
adicionada na certeza
de uma provável desilusão
O copo
a mesa
a boca
o guardanapo
o canto
o gole
a janela
o som
e a hora
nas chamas tímidas das velas
ao centro e a cadeira vazia
e o prato também
repetia o soluço
reprimido no momento
da desistência de si
em tantas noites iguais
a janela
o frio na cara
o garfo
a queda de luz
Balbuciavam às sombras
no frágil brilho
da faca
chorada no dia
do corte no dedo
no instante de raiva
entrecortada pelo crescendo
de um sentimento
a esperança nas velas
ainda acesas
na borda da mesa
agora
a cadeira ocupada
pela bolsa de alguém, esperava...


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