quinta-feira, 6 de agosto de 2009

rio abaixo


abaixo
o rio
sobe a canoa
por dentro
o dia
fica fora
a terra encera
o pó dos pés
o perfume
da rosa espeta
o espinho acorda
o sonho
enquanto dorme
fica firme
e a água escorre
o vinho bebe
a lucidez no copo
quebrado na parede
o vinho barato
tremula a mão
a bandeira
nos olhos rotos
embaçados
na bacia rasa
de lágrimas
a porta abre
a casa
na janela intriga
o dia na noite
desfeita a cama
cobre o lenço
o nariz espirra
o pólen a flor
na abelha
e o mel
adoça o coração

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