quarta-feira, 5 de agosto de 2009

vomitei vodka



Já ouvi muitos "nãos" pela vida afora
Agora o mais dolorido
Foi o do olhar negativo
Do pai daquela menina
A quem eu estava cativo
Doeu tanto na hora
E outras tantas horas depois
Que sinto ainda no corpo
Mesmo passado tanto tempo
O açoite recebido naquela noite de sexta
Quando as ruas se tornaram
Ladeiras esburacadas
Quando entendi que só servia
Para ser o amigo
Nunca doeu tanto
Me olhar no espelho
Nunca senti tanto frio
Em um dia de calor
E nunca vi a morte
Tão perto
Seis andares de distância
Chorei lágrimas de areia
Vomitei
Cachaça e agonia
Vodka e saudades
Montila e solidão
E boldo da mão
De mãe, e ela disse:
“Meu filho, nas dores nascem os poetas.”
A imagem daquela menina
Devagar se esvai
De minha mente
E o meu coração
Se foi no não
do pai.

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