sexta-feira, 31 de julho de 2009

fragmentos da cidade (ato final)


E o buzão limusine de pobre
(de rico é Carro Oficial)
segue vagarosamente
pelo Eixo Monumental
lotado de suor e perfume
barato de mercado
Bafo de cana 88
descansando na cintura
o trinta e oito
do “trabalhador noturno”
gato na madrugada
vindo para mais uma noite
insone e insana
tirar da luta de outros
o leite das crianças
sonha perto da Torre
ver as luzes de natal
a esperança renascida
no mesmo presépio
de muitos dezembros
O mercado noturno
abrindo suas portas
convida a petiscar
o filé miau
entre latas de cerveja
amassadas descansando
no saco para vender depois
pontas de cigarros
e o cheiro inconfundível
do incenso queimado
atrás da parada
A luz do dia se esvai
num grito mudo
ao longo da larga avenida
entre carros e pedestres
apressados na fumaça
sufocante do buzão
angustiado de revisão
e eu...
E eu?
Sigo para casa sorrindo
admirando
(através da moldura)
esta cidade
(distante de qualquer lugar)
onde aprendi a amar...
(Ato final)
 
 
 
 
 
 
 

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