segunda-feira, 7 de setembro de 2009

a chuva


a chuva,
se sobressai ao sol,
cobrindo a mata
com gotas de cristal
desmanchando o barranco
em um rio de barro
pelas ruas da cidade
começa a festa
na tarde coberta
dos pássaros nas árvores
embaladas pelos ventos
de uma nova estação
e canta-se (ou ouve-se)
a nostalgia melódica
e triste da canção
vinda da moça na parada
a espera do amado distante
o rumor de uma lágrima
singrando pelo rosto
se mistura a fragrância
ouro dos cabelos molhados
e ainda desliza longe
descendo rumo ao coração
pois é certo a demora do reencontro
sendo o possível ainda impossível
renasce na iris
a esperança...e desviou
a tristeza dos seus eixos.
a tarde se torna longa, longa
na chuva caudalosa,
com seus segredos
a se decifrar
os passos da moça agora
dança na chuva
ganhando sabor
e a alegria a mantêm em êxtase
por breve momento
os carros quase param
e os sorrisos afloram
na fragrância doce do perfume
a escorrer dos cabelos ouro
como acordes de um violão
num happy hour no meio da rua
na tarde chuvosa.
...e o meu pensamento
completa o espaço apertado, mesmo
ao vento de tão largas avenidas de Brasília.

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