sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

traços #1


ateia
o fogo.
em espiral
a fina fumaça
espanta da teia
a aranha.
e
caindo
dos olhos
as lágrimas
em silêncio
arranham
o rosto.
na janela
a tela barra
a mosca.
dedos nervosos
desenham no pó
traços de saudades.


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terça-feira, 30 de novembro de 2010

no calendário


aprisionado em meus sonhos,
acordei numa vontade preguiçosa.
persigo em silêncio
um coração.
novas fragrâncias já seduziam por perto,
com novos encantos,
momentos de prazer e de paixão.
o dia certo
de vermelho marcado
gritava a certeza da volta
tão simples.
um tempo já vivido vindo
na eternidade de um segundo
de vidas atrás.
desejo distraído
por mais um tempo naquele sorriso.
a boca se abrindo em línguas
ávidas de espaço e romance
... sem cansaço
para outras preliminares.
encontros, despedidas
começo, meio e nunca...

terça-feira, 6 de julho de 2010

AO MENOS


Reconheço,
Sou limitado.
Nos abraços
Tenho a medida certa
Do seu espaço.
Resta-me tempo
E,
A bússola dos olhos
Indica o caminho
Na noite enluarada
Enquanto refaço alguns poemas.
Ao menos
Tento estratagemas.
E nos abraços
Ganho espaço
E o tempo passa
Num doce beijo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dias distantes

Na preguiça
Minha saudade
Confunde as certezas
De minha vida.
Ficas ausentes
Poucos quilômetros
De distância.
No silencio
Ouço tua respiração
Teu perfume é o incenso
Do meu corpo.
Te folheio
Nos dias do meu cotidiano
Te dobro nas madrugadas
Nos pedaços dos meus sonhos.
Ecoo em ti.
Te aperto.
Te isolo dos momentos inimagináveis.
O passar das horas
Se perde nos caminhos ao redor.
Ontem e hoje ficam presos
No sorriso presenteado.
Qual a razão dos dias distantes?
São dias impossíveis de serem iguais.
São dias de coisas somente vazias.
Mil vidas passam nos meus sonhos...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Outros carnavais


A certeza no amor me leva,
a saudade de alguém me pesa.
Cada rabisco do que atrevo carrega
além de tudo que sei, um choro preso,
um olhar angustiado.
(O que é isto?)
É como se fosse outro coração palpitando
em jogo de azar.
Bombeia o sangue.
Bobeia o pensamento.
Bambeiam as pernas frente ao desejo.
O destempero de querer sem conseguir
impedir o que já foi e ainda é.
E o tempo passa…
Vento na janela, roupas no varal,
paredes abandonadas no domínio
desse grito ecoando no corredor.
Na presença esqueço dos limites
e me pego nu, leve e distante.
E mesmo no sufoco regresso, sem pressa
como em outros carnavais com outros adereços
e disposto a dar o braço a torcer
Ao novo amor

terça-feira, 27 de abril de 2010

Causa e desejo


Rabisco
nas entrelinhas
das estrelas
Letras de luas
na boca da noite.
Nas linhas abstratas
Desenhadas na pele
Aveludada
Do seu corpo,
Decifro a lei
de causa e desejo
Efeito do beijo.
Na brisa perfumada
dos seus cabelos
Meus dedos acariciam
A eternidade concreta
Da palavra amor.
Almejo, candura e paixão
Cobiço, a doçura e brandura dos teus olhos.
Entrego de mãos beijadas, meu coração.
Ah! Delicias...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Eclipse


o eclipse na noite
é um vazio de lua
onde a esperança
dói de dia
para dormir
nas madrugadas nuas.
no oceano branco,
o preto dos teus olhos
se afoga no mar de lágrimas
e, nas entrelinhas da poesia
em forma de serpente
a salvação comunga com o pecado
e a virgem se torna puta
nas páginas on-line.
e a águia pousa...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Busco palavras


Busco dizer as palavras

E fico na procura apenas.

Ecoa minha voz nos teus ouvidos

Sem caracteres.

Sem bonecos

Nenhuma foto

Nada de textos arranjados.

Procuro sinceridade

No encontro de olhares.

Ser espontâneo

Na atração física.

Não me traduza,

No silencio das palavras.

Me escute

E, depois me cale

Na sua língua.

Jorge Rolim (23/04/2010)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

oceano dos olhos


A manhã se avizinha
Cheia de manhas,
Onde o silêncio reclama
Nas poucas palavras mudas
Um poema a muito esquecido
No canto daqueles olhos.

Percorro os traços marcados
Pelas mãos tremulas de carinhos,
Devorando o grito contido
Em cada segundo adiado
Pelas inúmeras noites de insónia.

Deparo com o áspero muro da distância
Erguido nas fronteiras do coração,
E com volúpia alucinada e rebelde
A saudade sangra no branco do papel
Desejos contidos em versos de brisas

E no frio da noite
As lembranças de alguém singra
No oceano dos olhos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Reconstruindo


deixo-me viajar no amor
onde vou me definindo
nas horas passageiras
me reconstruindo
com um pouco de sim
e um cadinho de não.
reconheço
todas as pedras do caminho
são todas minhas.
encontro um rosto feliz
todos os dias naqueles olhos
decifra-me
naquelas canções
e tire todas as dúvidas
parte por parte
e me entendas.
na hora crucial, acredite
pois estarei nu e puro.
no silêncio da noite
ouça “Every breath you take”.


Como esquecer?


teu sorriso
me influencia de impossíveis...o dia anoitece.
revivo velhas fantasias
com insensatas alegrias... e beijos.
sei, não devo ir...
sei, não posso ficar... e vou...
quem sabe, talvez, a distância nos aproxime.
e nas paralelas encontre modeladas em si mesma
teu rosto, perfume e gosto... resto de uma flor.
e o corpo mudo grita nos movimentos...
outros tantos desejos.
como esquecer?
se te lembro nas linhas curvas
tatuadas de minhas mãos
e nas madrugadas sussurras obscenidades
de ir sem destino.
sinto as batidas do coração...e chove.
ouço “if you leave me now”.




sábado, 10 de abril de 2010

é...


é
no sentimento
rabiscados
onde encontro poesia
em forma de vinho reservado
um bom tempo
onde sinto o buquê quente
na alma.
memorizo
tantas saudades
do toque
como espinhos na pele
rubra a se abrir
em aromas persistentes
de rosas.
eternizo
o calor do abraço
o néctar do beijo
as unhas do desejo
e o sal do corpo
no gosto da língua.
é...
estrelas caem do céu.
e o copo no tapete.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sal no rosto


Enfastiado...
Enfraquecido...
As lágrimas secaram
No rosto somente o sal.
E naquele momento sem alternativas
Rompi todos os limites
Fazendo pouco caso
Infringindo todas as minhas leis.
Não peço desculpas
E nem quero saber de culpas
Nem gastar joelhos nos degraus.
Lembranças são presentes do passado
Atrapalhando o futuro estatelado na calçada.
Os tons...os perfumes...as fotos daquele dia.
E na demora, cansei...
Mas, não me entrego
Mesmo com a guerra perdida.
Catei as flores do caminho.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

FOGO DE PALHA


Jurei a esmo

não permitir

nenhum tipo

de sentimento

transitório

simplesmente

por não agüentar

esta loucura

repleta de saudades.

Ah!

Que tortura!

De passageiro

só a minha coragem

e esta certeza

do grito mudo

que não fica

mas...deixo acontecer.

Angustiado

pela dor

mas sem querer

esquecer...


Jorge Rolim

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Volta

O sol se levanta longe,
nas distâncias
nas curvas do teu corpo,
mas já agora se infiltra
em saudades os olhos
mareados no rosto marcado
por olheiras das noites
insones sem você.
A vida segue lenta
nas horas
de fadiga,
nos dias
de desencontros,
nas infelicidades,
no fastio de ir
sem saber para onde.
Mas,
ainda resta
uma pequena fagulha
que aquece o frio
na madrugada,
me prendo nela
com o olhar na foto
e assim fico um tempo, calado.
O choro que persistiu sem trégua,
se vai embora e...
surpreendo-me...
ao amanhecer completamente entregue,
sem nenhum hímen de tristeza,
todo possuído pela certeza
na manhã desvirginada e feliz,
pela volta de quem amo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Coração em DÓ


minha alma se encharcou de estrelas
e disse,
fechei as portas da dor
e encontrei lucidez,
quem sabe, quem sabe
lucidez de amor.

os olhos pegaram no sono
marejando nos sonhos
um jardim em flor
de maracujá
quem sabe, quem sabe
para acalmar seu próprio calor.

o beijo foi dado em silêncio
mas havia qualquer coisa
pulsando de forma incrível
em uma nota só
quem sabe, quem sabe
seja você tocando meu coração em Dó.